Uma equipe de pesquisadores internacionais analisou fios de cabelo e unhas de oito crianças sacrificadas pelo Império Inca há cerca de 500 anos, encontradas na Cordilheira dos Andes, e identificou que, semanas antes de morrerem, elas haviam consumido quantidades expressivas de substâncias tóxicas. Dentre elas, coca, álcool e harmina (um composto presente em plantas amazônicas utilizadas na preparação da ayahuasca).
Detalhados em um artigo publicado nesta terça-feira (3) na revista Antiquity, os resultados observados sugerem que essas substâncias podem ter sido utilizadas para amenizar o desgaste físico e emocional das vítimas durante suas longas jornadas até os locais onde seriam sacrificadas. A descoberta oferece novas pistas sobre os preparativos de uma das cerimônias religiosas mais importantes da civilização inca.
"As crianças eram consideradas mensageiras sagradas que continuariam a desempenhar um papel importante após a morte", explica a arqueóloga Dagmara Socha, professora da Universidade de Varsóvia, na Polônia, e primeira autora do estudo, em entrevista ao portal ScienceAlert. "A preparação delas pode ter tido como objetivo ajudá-las a suportar a jornada e chegar ao destino final nas melhores condições possíveis."
Vestígios tóxicos
Para identificar quais substâncias foram consumidas pelas crianças antes dos sacrifícios, os pesquisadores analisaram amostras de cabelo e unhas das oito múmias.
Quais drogas cientistas descobriram no cabelo e unhas destas 8 múmias incas
