Em 2021, a Turquia enfrentava uma pressão inflacionária crescente, que se estabelecia desde meados de 2020. Diante disso, o Banco Central do país atuou para tentar frear a carestia elevando a taxa de juros.
O presidente Recep Tayyip Erdogan passou então a pressionar a autoridade monetária até que ocorresse um corte administrado das taxas. A aposta de Erdogan era fornecer estímulo econômico por meio da redução compulsória dos juros. Em setembro daquele ano, o BC turco cedeu e cortou o juro em 1 ponto percentual, de 19% para 18%. Os cortes seguiram ainda nos meses subsequentes, à pedido do mandatário.
A decisão no entanto pesou sob a inflação do país, que disparou até atingir o pico de 85,5% em outubro de 2022. Do outro lado, do câmbio, o dólar subiu quase 130% em relação à lira turca.
Erdogan, que e autodenominava inimigo das taxas de juros, defendia a visão pouco ortodoxa de que taxas de juros mais baixas irão conter a inflação e chegou a destituir presidentes do banco central devido a divergências políticas. O presidente turco estava ainda com baixa aprovação e diante da proximidade das eleições de 2023.
O “case” turco voltou a ser lembrado no mercado financeiro após notícia veiculada pelo jornal O Globo de um eventual encontro entre o presidente Lula e o economista André Lara Resende, um dos país do Real, que escreveu um artigo recente onde propõe um “teto” para os juros.
