De tempos em tempos, no Brasil de Lula, o economista André Lara Resende, rentista cujo hobby era correr em Porsches, surge com a historieta de que todos os seus colegas (economistas, não corredores) estão errados e só ele está certo no diagnóstico dos problemas da economia nacional.
Recentemente, ele bancou o Émile Zola e saiu-se com “eu acuso” todo mundo que segue a cartilha ortodoxa.
A tese do seu artigo é que a maior causa do desequilíbrio fiscal não é o gasto primário do governo, mas a alta taxa básica de juros (Selic) estipulada pelo Banco Central para conter a inflação causada pelas despesas maiores do que a receita. A taxa implica um custo elevadíssimo com o serviço da dívida governamental.
Émile Lara Zola propõe, então, que se institua um Conselho Fiscal e Monetário Nacional para estabelecer metas fiscais e monetárias com duração de 5 anos.
A ideia é reduzir a Selic dos atuais 13,75% para 7,5% em 12 meses e depois mantê-la na faixa entre a meta de inflação e o crescimento nominal da economia, de 3% a 5,5%, por aí.
Quer chamar de tabelamento de juros, pode chamar. Amputado pelo tal Conselho da definição da política monetária, ao Banco Central caberia usar as reservas internacionais para amenizar a pressão cambial decorrente do tabelamento.
Pressão cambial é eufemismo.
