A receita do mágico André Janones para vencer as eleições brasileiras é uma massa de “soldados digitais” prontos para executar, de forma imediata e coordenada, as ordens recebidas via Telegram e WhatsApp. Seus dois mandamentos são: amplificar as postagens do seu próprio lado e jamais interagir com as do adversário, nem mesmo para corrigir a desinformação. “Repreenda severamente os soldados que se comportarem dessa maneira”, diz seu Mini-Manual de Insurgência Informacional, disponível online em diversos idiomas. “As missões devem ser claras para que a militância seja gamificada e fácil de executar.”
Janones pede aos participantes, “especialmente se forem de esquerda ou progressistas”, que suspendam momentaneamente sua “consciência crítica”, mesmo que discordem de seus critérios estéticos ou intelectuais, porque eles não são mais “o sujeito autônomo do Iluminismo, mas um nó de amplificação em uma rede de comunicação coordenada que busca hegemonia online”. Todas as hashtags, memes e vídeos gerados por IA são coordenados pelo comando central e distribuídos de forma sincronizada para criar um efeito de amplificação. “É necessário inundar as redes com materiais políticos em imagens ou vídeos com toda a estética possível”, incluindo a da IA. Steve Bannon chama isso de inundar a zona.
Janones colocou as táticas de mobilização digital da extrema-direita a serviço da esquerda.
