A Praça do Relógio, no coração de Taguatinga, passou a servir de palco para o encontro de um grupo de jovens vestido com uniformes negros e com símbolos orientais desenhados nas mangas. Quem costuma passar pelo local em determinado dia da semana pode se sentir no meio das gravações de um live-action de anime japonês ou, então, presenciando a chegada de uma nova e temida organização juvenil.
De agasalhos pretos e postura imponente, dezenas de adolescentes andam em formação. No entanto, em vez de correntes, socos ingleses ou encaradas ameaçadoras, os jovens carregam embalagens de pizza quentinhas e garrafas de refrigerantes dois litros.
Trata-se da versão candanga da Tokyo Manji Gang (Toman), inspirada no popular mangá e anime Tokyo Revengers. Mas calma: a versão de Taguatinga está bem longe de dominar o submundo do crime organizado.
Violência zero
Na obra original criada pelo autor Ken Wakui, a Toman nasce como um grupo de seis amigos focados na lealdade e na honra, embora, com o tempo, o enredo exija viagens no tempo do protagonista Takemichi para salvar a gangue de se transformar em um império criminoso.
Já a Toman do Distrito Federal decidiu pular a parte do crime e ir direto para o que interessa: o “rolê” pacífico e a gastronomia comunitária. Com mais de 1.130 seguidores no Instagram, a página oficial do grupo estampa um aviso em caixa alta na biografia: “Contra a violência”.
