A mais antiga planta de São Luís que chegou aos nossos dias remonta ao período da ocupação holandesa do Maranhão (1641-1644) e retrata a cidade em 1643, ano marcado pelos confrontos mais intensos entre luso-brasileiros e holandeses, incluindo a morte, em combate, de Antônio Muniz Barreiros.
O documento foi publicado pela primeira vez em 1647, na obra “Rerum per Octennium in Brasilia”, de Gaspar Barlaeus, em Amsterdã. Mais de cinquenta anos depois, em 1698, reapareceu na “Istoria delle Guerre del Regno del Brasile,” do frei Giuseppe de Santa Thereza.
Segundo o historiador Mário Meireles, a versão de 1698 teria sido reproduzida “com não muita rigorosa exatidão”. No entanto, ao comparar os traçados e legendas das duas edições, o próprio Meireles conclui, em “História de São Luís (2015),” que as diferenças observadas decorrem menos de erros cartográficos e mais de uma atualização das transformações urbanas ocorridas na cidade ao longo das cinco décadas que separam as duas publicações.
Uma cópia da versão de 1698 foi realizada em 1896 pelo padre José Joaquim Ferreira de Carvalho, a pedido do médico, historiador e intelectual maranhense Antônio Henriques Leal, então vereador de São Luís. Posteriormente, o documento foi doado à Câmara Municipal.
A planta constitui uma fonte valiosa para compreender a formação e a evolução urbana da capital maranhense em seus primeiros anos de existência. Nela está representada a cidade ainda em suas três primeiras décadas de desenvolvimento.
