O custo anual dos juros sobre a dívida rural brasileira avançou 191% entre 2021 e 2025, passando de R$ 34 bilhões para R$ 99 bilhões, em valores corrigidos pela inflação. No mesmo período, a taxa média das novas operações de crédito rural para pessoas físicas subiu de 6,3% para 12,2% ao ano. O diagnóstico está em um estudo do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.
De acordo com o levantamento, em agosto de 2026, o percentual de operações rurais com parcelas vencidas há mais de 90 dias chegou a 9,7%, ante 0,77% em dezembro de 2022. É o maior nível da série histórica do Banco Central iniciada em 2011.
O encarecimento do financiamento, combinado à perda de rentabilidade em parte das atividades agropecuárias, ajuda a explicar a disparada da inadimplência no campo.
Os pesquisadores Lucilio Alves e Geraldo Barros apontam que o recorde de inadimplência não decorre simplesmente de um endividamento excessivo em relação à renda do setor. A mudança está no custo da dívida, na composição das fontes de financiamento e na concentração dos compromissos em atividades que perderam margem.
Uma das transformações identificadas foi o avanço do crédito a taxas de mercado. Essas fontes representavam 5% das contratações rurais em 2013 e chegaram a 40% em 2025.
Em agosto deste ano, a inadimplência nessas operações era de 17,6%, contra 3,8% nas linhas com taxas controladas.
