Em 2022, Lula resgatou a democracia ao derrotar Jair Bolsonaro, que a tratava como estorvo. Em 25 de outubro, preservou-a de novo ao vencer Flávio Bolsonaro por 51,79% a 48,21%. E, de quebra, realizou um feito raro entre os regimes democráticos: obteve a reeleição justamente quando insatisfações as mais diversas têm conduzido a oposição ao poder. Resta a pergunta: como foi possível? Há algo que setores reacionários da imprensa não admitem nem com os números na mão: se o petista quase perdeu porque há descontentamento com a economia, também foi ela a lhe dar a vitória.E concluirei este texto apelando a Machado de Assis e ao modo como se come o biscoito Oreo.
Nos últimos anos, a oposição derrotou o governismo nos EUA (novembro de 2024), na Alemanha (fevereiro de 2025), na Polônia (junho de 2025), na Coreia do Sul (junho de 2025), na Tchéquia (outubro de 2025), na Bolívia (outubro de 2025), nos Países Baixos (outubro de 2025), em Honduras (novembro de 2025), no Chile (dezembro de 2025), na Hungria (abril de 2026), na Colômbia (junho de 2026)… E vai por aí. Houve algumas exceções, às quais se junta o Brasil, mas elas apenas confirmam a tendência.
Thomas Piketty descreveu o fenômeno logo depois da eleição americana.
