O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidirá a próxima taxa básica de juros na quarta-feira (4). Após o resultado do segundo turno das eleições, as expectativas do mercado financeiro migraram de um possível corte de 0,25 ponto na Selic para a manutenção da taxa no patamar atual de 13,75%.
Tatiana Pinheiro, consultora econômica e pesquisadora da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, avaliou que o câmbio deve ser um fator determinante na revisão das projeções de inflação pelo Banco Central.
A economista destacou que o real se desvalorizou em relação ao dólar após o resultado eleitoral, com a taxa de câmbio rodando em torno de R$ 5,35 por dólar, patamar significativamente acima do verificado na última reunião de decisão de juros.
Segundo ela, essa depreciação cambial representa pressão inflacionária potencial.
Além do câmbio, Tatiana Pinheiro apontou que as expectativas de inflação também devem pesar nas projeções do Banco Central. Ela mencionou que o relatório Focus, que reúne a mediana das expectativa do mercado para uma série de indicadores, deve trazer aumento das expectativas inflacionárias para 2026 e 2027.
Entre os fatores citados estão a defasagem no preço dos combustíveis, os impactos da reforma tributária sobre os preços e a possibilidade do fim da escala 6×1.
