Lula se recolheu depois da vitória. Reduziu a agenda, foi recuperar a voz após a campanha e pediu aos ministros que seguissem tocando suas pastas enquanto ele monta, sem pressa, a nova Esplanada. Segundo interlocutores do presidente, nas conversas que já teve sobre a economia do quarto mandato, Lula falou pouco e ouviu bastante.
O que chega aos ouvidos do presidente, relatam pessoas que acompanham essas conversas, são duas leituras opostas do mesmo passado. Lula quer evitar a todo custo o que aconteceu no começo do segundo governo Dilma, quando a inflação subiu, a economia afundou na recessão e o apoio popular se desfez. Um grupo diz a ele que o erro foi o ajuste de Joaquim Levy em 2015, e que a saída agora é acelerar a queda dos juros e deixar o Estado puxar o crescimento. Nos bastidores, essa é apontada, segundo fontes, como a vertente que agrada Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.
O outro grupo diz que o problema nasceu antes, nos anos de Guido Mantega, com preços represados, bancos públicos financiando o Tesouro e contabilidade criativa, e que os juros só cairão de verdade quando as contas voltarem a merecer confiança. Segundo os mesmos interlocutores, é a vertente com a qual Durigan tem mais afinidade.
A visão de Mercadante encontra amparo na tese de André Lara Resende, que sugere levar a Selic de 13,75% para cerca de 7,5% em um ano e depois mantê-la numa faixa entre 3% e 5,5%, sob a guarda de um novo Conselho Fiscal e Monetário Nacional.
