Mário Jorge Lobo Zagallo (1931-2024) escreveu um livro de memórias, “As lições da Copa”, para registrar as histórias sobre a inesquecível conquista do tricampeonato mundial, em 1970, no México. Ao relembrar a vitória diante da Itália, na finalíssima, no Estádio Azteca, por 4 a 1, o treinador destacou que a festa teve início a partir do segundo gol da equipe, na etapa final: “(…) A loucura começou com o gol de Gérson. Já haviam decorrido vinte e um minutos do segundo meio-tempo. Então, a vitória parecia antecipar-se. Ninguém acreditava que a Itália tivesse mais pernas para tentar a reação. Teríamos que contar com a invasão de campo, que sucederia ao final do jogo. Mas a invasão não esperou a hora. O gol de Gérson a precipitou. Aquela gente prostrada no banco, do lado de fora, os repórteres brasileiros e até mesmo o pessoal de casa, ou os mexicanos ali na vizinhança, todos se foram pelo campo adentro. A loucura tomou conta de nós. Gérson não se conteve; chorou, ajoelhado. (…).”
Depois de um primeiro tempo equilibrado e empatado por 1 a 1, gols de Pelé e de Boninsegna, o tento de Gérson provocou uma grande euforia, descrita por Zagallo: “(…) Aproximei-me do grande jogador. Passei-lhe a mão pela cabeça. Vi o Chirol [médico] perto de mim; chegou correndo, aos pulos. Chirol ajoelhou-se também, também chorou ajoelhado. Acho que ambos rezavam. Eu nunca deixei de rezar antes dos jogos e na concentração. Mas, ali, só os dois rezavam.
