Sempre digo que Lula é um animal político como dificilmente veremos outro nas próximas gerações. É uma avaliação sobre sua capacidade de perceber o ambiente, entender as pessoas e encontrar caminhos para continuar no centro do poder.
Reconhecer essa habilidade independe de preferência partidária. Podemos discordar de suas decisões, criticar seu governo e cobrar resultados. Mas compreender a política brasileira exige entender por que Lula atravessa tantas décadas mantendo tamanha influência.
Sua trajetória ajuda a explicar. Antes de chegar à Presidência, ele conquistou a confiança de trabalhadores, ajudou a fundar o PT e se tornou a principal referência do partido. Venceu eleições presidenciais e teve papel central na eleição de Dilma Rousseff como sua sucessora.
Poucas lideranças conseguem permanecer relevantes por tanto tempo. Menos ainda conseguem reencontrar o eleitor quando os instrumentos que as levaram ao poder começam a envelhecer.
A liderança nasceu onde o trabalhador estava
O Lula sindicalista surgiu em um Brasil muito diferente do atual. Era o país das grandes concentrações de operários, das assembleias e das greves no ABC paulista. Salário, emprego e condições de trabalho reuniam multidões em torno de reivindicações comuns.
Em cima de um caminhão de som, ele falava de problemas que aquelas famílias conheciam dentro de casa. O trabalhador se reconhecia naquele discurso e enxergava nele alguém capaz de representá-lo.
