Adultério, promiscuidade e atos lascívios em pleno Fórum Romano: estas são as acusações que teriam feito Júlia, a única filha do primeiro imperador de Roma, perder todos os seus privilégios até morrer de fome após anos de exílio.
Milênios depois, historiadores reconstruíram a história de vida da princesa e descobriram uma figura muito mais complexa. Ela era amada pelos cidadãos da época, conduzia sua própria articulação política e pode ter usado a sexualidade como arma para enfraquecer o governo do próprio pai.
Entenda, a seguir, o legado da autora de um dos maiores escândalos da história antiga, e como sua reputação evoluiu desde o período anterior a Cristo até os tempos contemporâneos.
Filha de divórcio, mãe do futuro imperador
A vida de Júlia foi conturbada desde os primeiros segundos. Ela nasceu no mesmo dia em que o primeiro governante do Império Romano, seu pai, se divorciou da segunda esposa, Scribonia. O imperador Augusto usou seu poder político para tirar a bebê da mãe e assumir a guarda total.
A menina foi criada com sua madrasta, Lívia, e educada para manter a boa reputação do pai em círculos aristocráticos e religiosos de Roma. O historiador Suetonius, que viveu na mesma época, a descreve como uma jovem de “cultura considerável”, amante da literatura e produto de uma criação “rigorosa e um tanto antiquada”.
