Quatro décadas depois do acidente nuclear, Chernobyl continua a esconder surpresas no solo. Minúsculas partículas radioativas, algumas com dimensões comparáveis às de grãos de poeira, permanecem espalhadas pela região contaminada e ainda podem representar riscos à saúde. O que mais chamou a atenção dos cientistas, porém, foi como alguns conservaram grande parte de sua estrutura original. Os resultados foram publicados em março na revista científica Journal of Hazardous Materials.
A descoberta foi possível graças ao uso de raios X de alta potência, que permitiram examinar os átomos no interior de seis partículas radioativas coletadas nas proximidades do antigo reator. Os resultados indicam que determinados fragmentos do combustível nuclear podem ser quimicamente mais estáveis do que se imaginava, retendo substâncias radioativas em sua estrutura em vez de liberá-las rapidamente no solo e na água.
Isso não significa que a contaminação esteja desaparecendo ou que a região tenha se tornado segura. É o contrário, na verdade: as diferenças entre as partículas tornam difícil prever quando elas poderão degradar e liberar materiais radioativos. E é justamente essa imprevisibilidade que mantém o legado de Chernobyl no radar da ciência.
De onde veio essa poeira?
Como o desastre de Chernobyl ainda surpreende cientistas, 40 anos depois
