Uma democracia precisa de governo, mas também de oposição. A direita perdeu a Presidência da República. O Supremo, com as novas indicações de Lula, será praticamente unânime em seu governismo. O que sobra à oposição? O Senado.
Lula começa o mandato fragilizado. Terá dificuldades econômicas, um Congresso que não lhe é ideologicamente fiel e enfrentará questionamentos sobre a legitimidade do processo eleitoral dentro e fora do Brasil.
Frágil, sem o oba-oba dos artistas e jovens nas ruas, Lula contará mais do que nunca com a parceria do STF e com a truculência habitual de Alexandre de Moraes, que, em setembro próximo, assume a presidência da Corte.
É nesse cenário de um Lula entrincheirado com o STF que a presidência do Senado ser da direita se torna uma questão de sobrevivência da oposição e da própria democracia no próximo governo Lula.
O atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre, é a prova viva de que, com as manobras que o regimento interno lhe faculta, a conquista da cadeira da presidência da Casa é mais relevante até mesmo do que formar a maioria do Senado.
E a maioria do Congresso ser de direita é inútil sem a presidência do Senado, em razão da prerrogativa de desengavetar impeachments, tanto de ministros do STF quanto do próprio Lula, que essa cadeira possui.
Executivo e Supremo caminhando de mãos dadas, a ocupação da presidência do Senado será a única forma capaz de impor um freio efetivo ao consórcio estatal formado por Lula e STF.
