A decisão recente da Justiça Federal, que autorizou o acesso da família a documentos médicos sobre o tratamento e a morte de Tancredo Neves, reabre um capítulo marcante da redemocratização brasileira e permite revisitar a longa carreira do político mineiro que foi eleito o primeiro presidente civil após a ditadura militar, mas não chegou a assumir o cargo.
Tancredo de Almeida Neves nasceu em 4 de março de 1910, em São João del Rei (MG). Formou-se em Direito em 1932 e iniciou a vida pública como vereador da cidade natal (1935-1937). Pelo Partido Social Democrático (PSD), foi deputado estadual (1947-1950) e deputado federal em diversos mandatos a partir de 1951. Entre junho de 1953 e o suicídio de Getúlio Vargas, ocupou o Ministério da Justiça e Negócios Interiores. Também atuou em cargos técnicos, como na Secretaria de Finanças de Minas Gerais e em diretorias do Banco do Brasil e de instituições de crédito.
Com a renúncia de Jânio Quadros e a adoção temporária do parlamentarismo, tornou-se o primeiro-ministro do governo João Goulart (1961-1962). Após o golpe de 1964, integrou a oposição no Movimento Democrático Brasileiro (MDB), reelegendo-se deputado federal e exercendo liderança. Em 1978 foi eleito senador. Com o retorno do pluripartidarismo, participou da fundação do Partido Popular e, depois, do PMDB, pelo qual foi eleito governador de Minas Gerais em 1982.
Na campanha pela redemocratização, apoiou as Diretas Já.
