A manifestação frequente de mofo, bolor e descascamento na base das paredes, segundo alguns estudos, está diretamente ligada a um vício construtivo tradicional: a ausência de estanqueidade na fundação e o contato direto do reboco com o solo.
A água presente no solo sobe pelas paredes devido ao fenômeno da capilaridade. Materiais minerais como concreto, tijolos e argamassas possuem poros microscópicos e descontinuidades físicas em sua estrutura.
Por meio de forças de adesão e coesão molecular, o líquido vence a gravidade e escala a alvenaria, atingindo comumente alturas entre 50 cm e 80 cm.
Pesquisa em edificações
Uma pesquisa realizada por uma engenheira da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), identificou em diversas edificações que a viga baldrame enterrada sem o devido isolamento, permite que o reboco funcione como um condutor da umidade.
Ao encostar na terra, a massa absorve a umidade do solo e a transporta por cima da barreira de impermeabilização. Em medições com o termo-higrômetro FLIR MR176, alvenarias em tijolos maciços registraram média de 69% de umidade na base (10 cm), enquanto as de tijolo furado com reboco apresentaram 58%. No entanto, as paredes rebocadas sofreram maior deterioração aparente e desplacamento.
Além de manchas estéticas, a água contínua favorece o surgimento de eflorescências e criptoflorescências, acúmulos de sais que se solidificam dentro dos poros, gerando fissuras e esfarelamento do material.
