Ontem, fiquei doente das idéias! Entreguei uma relação de compras para a Laide e ela fez uma cara de cega. Desconfiei, a moça fala direitinho. Os verbos saem naturalmente, como se tivesse estudado e aprendido com o professor João Crisósthomo. Apertei-a com muito carinho e descobri: a Laide não sabia ler. Adoeci na horita!
Doente com o que vi, saí para comprar um livro para que eu pudesse ensinar a minha querida cozinheira e com a finalidade de zerar o analfabetismo na minha casa. O primeiro nocaute foi o preço do livro: R$170,00 e a cidadã já podia escrever no livro. Também comprei lá lápis e borracha. Caríssimos! Dei a primeira aula e senti que a vida de professor é mais heroica do que pensei. Contratei uma professora particular para a funcionária. Fiquei satisfeito com o que fiz. É puro merecimento. Para trabalhar e poder receber o Bolsa Família, saber ler deveria ser obrigatório. Assim como fazem no Serviço Militar.
O Brasil realmente vem caindo em vários indicadores internacionais de educação, especialmente em matemática, leitura e ciências. O principal termômetro mundial é o exame Programme for International Student Assessment, aplicado pela Organisation for Economic Co-operation and Development a estudantes de 15 anos.
No último PISA, o Brasil ficou pertinho das últimas posições entre mais de 80 países avaliados. Em matemática, por exemplo, mais de 70% dos alunos brasileiros não conseguem resolver problemas básicos do cotidiano.
