A dificuldade para emagrecer nem sempre está relacionada à quantidade de comida ingerida. A fome emocional, as memórias afetivas e os mecanismos de recompensa do cérebro também influenciam as escolhas alimentares. O médico nutrólogo Jo Furlan abordou o assunto durante participação no programa A Força do Agro, apresentado por Joice Maffezzolli, na Revista Oeste.
Segundo o médico, existe uma diferença importante entre fome física e emocional. Enquanto a primeira surge gradualmente e pode ser saciada com diferentes alimentos, a segunda costuma despertar o desejo por produtos específicos, como chocolate, doces e preparações associadas ao prazer.
O comportamento também tem relação com experiências da infância. Refeições em família, receitas preparadas pelos avós e hábitos construídos em casa podem criar associações emocionais com determinados alimentos. Essas lembranças permanecem na vida adulta e influenciam a relação com a comida.
Fome emocional e sistema de recompensa
Furlan explicou que o consumo de alimentos ricos em açúcar, gordura e sal pode estimular o sistema de recompensa cerebral. Ele citou o conceito de bliss point, relacionado à combinação desses ingredientes para intensificar a palatabilidade dos produtos.
Na avaliação do nutrólogo, esse mecanismo ajuda a compreender por que algumas pessoas procuram comida mesmo sem sentir fome. O prazer imediato pode ser seguido por culpa e tristeza, o que favorece a repetição do comportamento.
