A podolatria, o interesse sexual por pés, lidera a lista de atrações por partes do corpo em todo o planeta. Não se trata de uma simples preferência curiosa: um estudo de 2007 conduzido por pesquisadores da Universidade de Bolonha, publicado no International Journal of Impotence Research, confirmou que o fascínio por pés é a fixação anatômica mais comum entre os seres humanos. Mas afinal, o que faz o cérebro transformar os nossos pés em um gatilho de desejo tão forte?
Para tentar explicar esse fenômeno, os cientistas voltam no tempo até a década de 1930. Foi quando o neurocirurgião canadense Wilder Penfield criou o homúnculo cortical, um mapa que mostra como cada pedaço do nosso corpo é desenhado no córtex somatossensorial, a região do cérebro que cuida do tato. Curiosamente, nesse mapa mental, a área reservada para os pés fica bem ao lado da região que comanda as zonas de maior prazer sexual.
Nos anos 1990, o neurocientista indiano Vilayanur Ramachandran aproveitou essa “vizinhança” para lançar uma ideia famosa: a de que existiria um curto-circuito ou um “cruzamento de sinais” entre essas duas partes do cérebro. Pela teoria dele, quando alguém toca nos pés, a mensagem do tato acaba invadindo a área ao lado e ativando os circuitos do prazer por tabela.
Só que essa história teve uma reviravolta. O psicólogo Justin Lehmiller, do Kinsey Institute, lembra que os fetiches misturam biologia, psicologia e cultura, sem uma resposta tão simples.
