Desde a chegada dos primeiros indígenas levados por navegadores à Europa em 1493, sociedades ocidentais alimentaram o hábito de expor pessoas trazidas de territórios colonizados na África, Ásia e Américas. O que começou no século XV como uma exibição de curiosidades exóticas em cortes reais transformou-se, a partir de 1877, em um modelo comercial e pseudocientífico que buscava justificar teorias de hierarquia racial e fundamentar a expansão imperialista.
No auge do período colonial, milhões de visitantes frequentavam chamados zoológicos humanos organizados em grandes feiras internacionais. Em cidades como Paris, Londres e Berlim, aldeias inteiras eram reconstituídas para que o público observasse nativos encenando rituais cotidianos, criando uma visão profundamente estereotipada sobre povos não europeus e legitimando a dominação ocidental sobre esses territórios.
Nos primeiros registros históricos, as exibições tinham caráter pontual e restrito às elites. Em 1664, quatro habitantes da Groenlândia foram levados à corte dinamarquesa por um marinheiro holandês. Décadas depois, o taitiano conhecido como Omai foi apresentado ao rei George III, em Londres, pelo explorador Joseph Banks. No entanto, com o avanço do colonialismo, essa postura de curiosidade deu lugar a uma abordagem abertamente violenta e institucionalizada.
A sul-africana Saartjie Baartman, apelidada pejorativamente de Vênus Hotentote, tornou-se o caso mais emblemático dessa transição.
