Se o senador Flávio Bolsonaro, uma vez derrotado por Lula no domingo, 25, tivesse permanecido no Brasil até hoje, seria razoável criticar o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, por ter acatado, na noite daquele mesmo dia, o pedido da Polícia Federal para apreender o passaporte dele. Afinal, por que tamanha pressa? Para que o ex-candidato pudesse, depois, apresentar-se ao mundo como um perseguido político?
Mas não. Na segunda-feira, 26, à saída de uma visita ao pai, preso e condenado por tentativa de golpe de Estado, Flávio foi intimado a devolver o passaporte em um prazo de 24 horas. E, ao invés de fazê-lo, no dia seguinte deu início à sua fuga acompanhado da mulher e das filhas. Foi uma operação bem planejada, que contou com a ajuda dos governos da Argentina e dos Estados Unidos, e de um ex-agente do Mossad, serviço de espionagem de Israel.
Flávio não foi pego de surpresa com a ordem judicial para que devolvesse seu passaporte, e ele tinha dois, um brasileiro e o outro italiano, e continua com eles. A Polícia Federal é que foi, ao descobrir muito tarde que ele estava pronto para evadir-se. Ela só acordou para isso na sexta-feira, 23, quando, em entrevista a um podcast, Eduardo Bolsonaro disse ser a favor de que o irmão deixasse o Brasil se perdesse a eleição. A sombra da derrota já assombrava os dois.
