Quem acompanhou o início da epidemia de aids, nas décadas de 1980 e 1990, certamente se lembra do medo que cercava o diagnóstico de HIV. Naquela época, não existiam tratamentos capazes de controlar a infecção como os disponíveis atualmente, e receber o resultado positivo era frequentemente associado a uma sentença de morte.
Quatro décadas depois, a medicina transformou essa realidade. Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, pessoas vivendo com HIV podem ter uma expectativa de vida próxima à da população geral. Além disso, quem mantém a carga viral indetectável não transmite o vírus por via sexual.
Os avanços, entretanto, trouxeram um novo desafio: como manter a percepção de risco diante de doenças que hoje podem ser tratadas ou controladas?
Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2024, a maior taxa de detecção de HIV entre os homens brasileiros ocorreu na faixa dos 25 aos 29 anos. A sífilis também preocupa. Aproximadamente 256 mil casos adquiridos foram notificados naquele ano, com taxas elevadas entre adultos jovens.
Seria simplista afirmar que os jovens deixaram de se preocupar com as infecções sexualmente transmissíveis. O comportamento sexual é influenciado por fatores culturais, emocionais e sociais, além do conhecimento sobre saúde. No entanto, a possibilidade de controlar o HIV com medicamentos e a existência de recursos preventivos altamente eficazes podem contribuir para uma percepção diferente das consequências de uma relação desprotegida.
