Sara Carvalho Lima, 37 anos, sabe desde a infância o que significa precisar de um lar fora da família de origem. Por dificuldades financeiras dos seus responsáveis, ela ficou sob a tutela do Estado e passou parte da vida em abrigos. Hoje, transforma a experiência em uma forma de retribuição: há três anos, recebe em casa, por meio do programa Família Acolhedora, crianças afastadas dos responsáveis por situações de maus-tratos, abandono e negligência.
Executada pelo Grupo Aconchego, uma Organização da Sociedade Civil (OSC) sem fins lucrativos, em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF), a iniciativa oferece uma alternativa de cuidado enquanto a Justiça avalia se a criança poderá voltar à família de origem ou ser encaminhada para adoção.
“No abrigo, a convivência era coletiva e os cuidados eram divididos entre os profissionais. No acolhimento familiar, a criança passa a fazer parte da rotina de uma casa, convive com uma família e participa do dia a dia daquele lar. É especial poder proporcionar essa experiência, mesmo que temporário, a outras crianças que talvez não tenham vivido isso antes”, conta Sara.
A experiência de acolher crianças também mudou a forma como Sara e o companheiro, Divanildo da Silva Lima, de 42 anos, enxergam os responsáveis que não conseguem cuidar dos próprios filhos. Para o casal, reconhecer essa dificuldade e buscar uma alternativa segura para a criança é uma atitude que não deve ser recebida com julgamento.
