“Foi comprar cigarro e nunca mais voltou”. Entre os humanos, essa frase serve para descrever, de forma bem humorada, o abandono paternal. O que pouca gente sabe é que um comportamento comparável ocorre no mundo animal, especificamente entre alguns tipos de cucos, uma ave que está espalhada por quase todos os continentes, exceto a Antártida.
Mas, afinal, o que leva o comportamento dos cucos a ser comparado a um abandono parental? O paralelo é feito porque essas aves utilizam uma estratégia reprodutiva em que, durante a postura, a fêmea pode retirar ou danificar um dos ovos do ninho de outra ave hospedeira para colocar o seu. Enganado, o animal parasitado passa a incubar o ovo intruso e até alimentá-lo depois que nasce.
“Essa estratégia consiste em aumentar as chances de sucesso reprodutivo de algumas espécies de cuco. É um comportamento conhecido como parasitismo de ninhada, ou seja, a fêmea coloca seus ovos no ninho de outras aves, que acabam chocando e criando o filhote como se fosse seu”, exemplifica a bióloga Nathália Alves, do Oceanic Aquarium, em Santa Catarina.
Em algumas espécies, o próprio filhote ao nascer pode empurrar os outros ovos ou até mesmo as crias originais já nascidas para fora do ninho. A ação serve para aumentar as chances dele conseguir mais alimento e, consequentemente, sobreviver.
Não são todas as espécies de cuco que se comportam assim.
