Thayse Teixeira foi contratada, nas suas próprias palavras, “pra ser comentarista pra um programa de fofoca” [sic]. Cometeu o erro imperdoável de levar a função a sério. Na edição de 27 de outubro do Fofocalizando, ao comentar a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que estendeu até as 19h a votação do segundo turno em todo o país, disse em rede nacional o que milhões de brasileiros disseram na sala de casa: “Achei estranho. Está tudo errado no país”. No dia seguinte, ao chegar para trabalhar, soube que o contrato estava encerrado.
O SBT agradeceu os serviços, desejou sucesso nos próximos projetos e não vinculou oficialmente a demissão ao comentário. Nem precisava. A nota protocolar é o gênero literário preferido de quem não tem coragem de assinar o que fez.
Convém reparar no tamanho do crime. A apresentadora não acusou ninguém de fraude, não inventou número, não ofendeu honra alheia. “Não dei informação nenhuma, dei a minha opinião”, resumiu depois. Estranhar que um ministro do Supremo mexa, por decisão monocrática, no relógio de uma eleição presidencial em andamento é o mais elementar dos reflexos republicanos. Os colegas de bancada correram a explicar que poucos votos entraram depois das 17h. Talvez. Mas a pergunta nunca foi aritmética. Foi de princípio, e é velha como Juvenal: quis custodiet ipsos custodes? Quem vigia os vigias quando eles próprios decidem a que horas a urna fecha?
