Há mais de uma semana, El Salvador vem enviando soldados ao Haiti de forma discreta, e a dimensão desse projeto só foi revelada publicamente alguns dias depois: mais de 2.000 militares salvadorenhos serão enviados à nação caribenha, embora sua missão e mandato permaneçam incertos.
O envio introduz um elemento imprevisível em Porto Príncipe, uma cidade de colinas densamente povoadas onde as linhas de combate mudam constantemente entre dezenas de gangues e grupos que as combatem, incluindo forças estrangeiras, grupos de vigilância comunitária e mercenários.
A chegada de 2.000 soldados é um fato significativo. Esse contingente supera o tamanho de todo o Exército do Haiti e equivale, aproximadamente, a um quarto do efetivo urbano da Polícia Nacional Haitiana.
É um número semelhante ao contingente atual da GSF (Força Multinacional de Supressão de Gangues), apoiada pela ONU, e supera, de longe, o número de prestadores de serviços militares privados que integram a sigilosa “força-tarefa” do governo haitiano.
Mas como eles se encaixam no fragmentado cenário de segurança do Haiti? Quem paga por tudo isso? E qual é, exatamente, a missão deles? Por enquanto, a estrutura de comando das forças salvadorenhas ainda não foi definida, segundo uma fonte próxima ao assunto.
Os comunicados divulgados simultaneamente na noite de quarta-feira (28) por El Salvador e pelo Haiti trouxeram poucos esclarecimentos sobre a situação.
