Moradores de Banabuiú, no interior do Ceará, enfrentam filas para comprar água mineral depois que comerciantes suspenderam as vendas por causa de ameaças do Comando Vermelho (CV). A facção criminosa passou a exigir pagamentos semanais para autorizar a comercialização do produto.
O município, localizado no Sertão Central cearense, deu 79,17% dos votos válidos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições de 25 de outubro. Foram 9.903 votos para o petista, contra 2.606 (20,83%) para Flávio Bolsonaro (PL), segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Diante da situação, o governo estadual mobilizou caminhões e policiais para garantir o abastecimento da população. A primeira carga de aproximadamente mil garrafões chegou à cidade neste sábado, 31, transportada pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) e acompanhada por viaturas policiais.
Comando Vermelho exigia pagamentos semanais
As ameaças começaram em 19 de outubro, quando mensagens intituladas “Edital Banabuiú” passaram a circular entre os comerciantes. De acordo com as investigações, o comunicado foi divulgado em nome do Comando Vermelho e assinado pela chamada “Diretoria de Banabuiú”.
O documento condicionava a venda e a distribuição de água mineral à autorização da organização criminosa. Quem desobedecesse às determinações poderia sofrer represálias. As cobranças relatadas variavam de R$ 200 a R$ 750 por semana.
O impacto chegou à rede municipal de ensino.
