Depois de mais de 40 anos da morte de Tancredo Neves, a Justiça Federal autorizou seus familiares a consultar documentos mantidos sob sigilo sobre o atendimento médico recebido pelo presidente eleito em 1985. A decisão foi tomada por unanimidade pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) e envolve registros da internação no Hospital de Base, em Brasília.
A família pretende esclarecer se houve erros nos procedimentos médicos realizados durante o tratamento. Tancredo foi hospitalizado em 14 de março de 1985, um dia antes de assumir a Presidência da República, com um quadro de diverticulite, inflamação que atinge o intestino grosso. Ele morreu em 21 de abril daquele ano, depois de enfrentar sucessivas complicações. No dia 26 de março, ele havia sido transferido para o Instituto do Coração (Incor), em São Paulo.
A determinação judicial prevê que o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) disponibilizem prontuários, identificação dos profissionais envolvidos e outros registros relacionados ao caso. Consultadas pelo portal g1, as duas instituições informaram que ainda não haviam recebido a notificação oficial. Muitos dos questionamentos da família têm como base o livro O paciente, de Luís Mir, publicado em 2010.
Os conselhos profissionais recusaram anteriormente os pedidos de acesso à documentação, alegando a necessidade de preservar o sigilo médico. A negativa levou a questão ao Judiciário.
