Preocupados com o avanço do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados, líderes do centrão articulam uma mudança no sistema eleitoral. A proposta prevê a adoção do voto distrital misto a partir de 2034, com regras de transição para as eleições de 2030. Os detalhes ainda estão em discussão.
A iniciativa busca preservar o espaço dos partidos de centro, que perderam 22 cadeiras na comparação com as eleições de 2022. O PL avançou de 99 para 121 deputados eleitos e ocupará 23,6% das 513 vagas da Casa na próxima legislatura.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou na quarta-feira 28 que pretende discutir e votar a mudança ainda em 2026. Ele deu a declaração depois de uma reunião com representantes do União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB, Cidadania e Podemos.
Motta afirmou que buscará o apoio das demais legendas, incluindo o PL, o Novo e a federação formada por PT, PV e PCdoB. Também pretende negociar o andamento da reforma com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
O que muda para o eleitor
A principal diferença do modelo em discussão está na combinação de dois critérios para preencher as cadeiras: a eleição de representantes de regiões delimitadas e a distribuição de vagas por listas partidárias.
No desenho descrito nas negociações, metade dos deputados seria eleita em distritos dentro de cada Estado. A outra metade sairia de listas com uma ordem de candidatos definida previamente pelos partidos.
