Muito antes de o reator 4 da usina de Chernobyl explodir, em 1986, a cidade de São Paulo protagonizou uma tragédia envolvendo materiais radioativos. Afinal, mesmo sem terminar em uma explosão, como a que marcou a história ucraniana, a manipulação de detritos nucleares na cidade deixou consequências que se estenderam por décadas. Daí o fato de o caso ficar conhecido, décadas depois, como “Chernobyl paulistana”.
Na Avenida Santo Amaro, em um prédio de São Paulo que ficou conhecido por sua fachada cor-de-rosa, funcionou a Orquima S.A., a primeira indústria nuclear brasileira. Fundada em 1942 pelo empresário Augusto Frederico Schmidt, a empresa atuava no processamento de minerais e esteve ligada à Usina de Santo Amaro, posteriormente associada à Nuclemon (Nuclebrás de Monazita e Associados Ltda.), empresa estatal brasileira do setor químico e nuclear.
O início das atividades da Orquima remontam um contexto internacional importante. Durante a 2ª Guerra Mundial, o desenvolvimento de tecnologias nucleares ganhou impulso, culminando nos bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki, no Japão, em 1945. O Brasil, então, também passou a ampliar sua participação nesse campo.
Esse pioneirismo estava ligado a um momento em que o domínio de recursos minerais estratégicos era considerado fundamental para o desenvolvimento científico, industrial e militar. O Brasil buscava ampliar sua participação na área nuclear e proteger suas jazidas de minerais radioativos.
Como “Chernobyl paulistana” tentou tornar Brasil uma potência nuclear nos anos 1940
