Uma ferramenta de inteligência artificial poderá ajudar médicos e socorristas a identificar o tipo mais letal de infarto, aquele causado pelo bloqueio total das artérias do coração.
O sistema, desenvolvido em uma colaboração internacional que uniu pesquisadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, e da USP (Universidade de São Paulo), tem a capacidade de analisar rapidamente os dados digitais do ECG (eletrocardiograma). Com isso, o modelo promete detectar a obstrução aguda e, de forma inédita, apontar o local exato onde a artéria está entupida.
“Nos casos de infarto agudo do miocárdio, as decisões precisam ser rápidas, pois cada minuto importa. Se a artéria estiver totalmente obstruída e não permitir levar o oxigênio, o músculo cardíaco morre e isso é irreversível. Por isso, o tempo é o grande definidor [do prognóstico]. A ferramenta de IA poderá dar mais agilidade ao processo”, conta o diretor do Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do InCor-USP (Instituto do Coração), José Eduardo Krieger. Ele é um dos autores do estudo, publicado na revista Nature Communications.
O modelo de IA descrito no artigo é o 1º validado em população brasileira capaz de identificar e localizar infartos por oclusão coronariana usando apenas o ECG de 12 derivações -um exame rápido, acessível e de baixo custo que registra a atividade elétrica do coração sob diferentes ângulos.
