Quando o presidente Donald Trump sinaliza que pode não aceitar o resultado de uma eleição, vale a pena levá-lo a sério.
A esta altura, em sua quinta eleição nacional como líder do Partido Republicano, Trump tem um modus operandi estabelecido. Ele passa meses alimentando dúvidas sobre o sistema de votação e a integridade dos funcionários eleitorais, ao mesmo tempo em que sugere que os democratas podem fazer trapaças.
Em seguida, ele transforma o vórtice de desconfiança que criou em arma e insinua, antes da contagem dos votos, que a eleição pode não ser justa.
A uma semana do Dia da Eleição, parece mais com o Dia da Marmota.
Trump foi questionado na terça-feira (27) se aceitará os resultados das eleições de meio de mandato, que podem significar uma noite difícil para o Partido Republicano, “aconteça o que acontecer”.
Essa dificilmente seria uma pergunta feita a qualquer outro presidente moderno. Mas a resposta de Trump veio acompanhada de uma ressalva tornada ainda mais ominosa por sua conduta passada: “Vou aceitar, se forem eleições honestas, sim.”
Há muito a se preocupar aqui, além da ambiguidade de sua resposta. Isso porque Trump efetivamente se apresenta como o único árbitro da probidade de uma eleição. Quando perdeu a eleição presidencial em 2020, ele alegou falsamente fraude, apesar de múltiplos funcionários republicanos, tribunais e até mesmo seu próprio Departamento de Justiça terem comprovado que não houve tais irregularidades.
