Por Marília Marasciulo
Uma bactéria que vive em águas próximas ao ponto de ebulição forneceu a enzima que tornou possível a técnica PCR, usada em exames diagnósticos. Uma tentativa frustrada de intensificar a cor roxa de petúnias revelou um mecanismo hoje utilizado para silenciar genes. No Brasil, estudos sobre o veneno da jararaca deram a pista para o desenvolvimento do captopril, usado no controle da hipertensão. Nenhuma dessas pesquisas começou com foco em exame, terapia genética ou medicamento. A origem foi a ciência básica.
“A ciência básica pergunta como aquilo funciona. Já a ciência aplicada parte do pressuposto de que existe um problema que precisa do conhecimento científico para ser resolvido”, afirma o biomédico e divulgador científico Lucas Zanandrez, fundador do canal Olá, Ciência!. “A diferença não está no método, nem uma é melhor do que a outra. Está na pergunta feita.”
As duas modalidades se cruzam. Uma pesquisa voltada a desenvolver um medicamento pode revelar aspectos básicos de uma doença, enquanto uma descoberta feita por curiosidade pode ser retomada para responder a uma questão clínica. Nesse percurso, diferentes grupos e áreas produzem conhecimentos que depois se combinam em uma tecnologia. “Isso pode ser imediato ou acontecer daqui a décadas. A imprevisibilidade faz parte da evolução científica”, diz o biólogo Welbert de Oliveira Pereira, coordenador do curso de graduação em engenharia biomédica do Ensino Einstein.
