O centrão chega às negociações para o quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva com duas frentes abertas: a participação no governo e a preservação da influência no Congresso. Enquanto dirigentes de partidos que apoiaram Flávio Bolsonaro retomam o diálogo com o presidente reeleito, as articulações pelas presidências da Câmara e do Senado aproximam lideranças de centro do Planalto. A formação de uma base estável, porém, ainda depende de compromissos que se confirmem nas votações.
Lula pretende começar as conversas sobre a composição do governo depois do feriado de Finados, com o presidente do PT, Edinho Silva, à frente das primeiras negociações. O desenho em discussão prevê vincular o espaço dos partidos nos ministérios à expectativa de votos favoráveis às pautas do Executivo. A meta relatada por aliados é concluir a composição da Esplanada até 20 de dezembro. Os acordos ainda estão em negociação.
Reaproximação antes da coalizão
Para o cientista político Leandro Gabiati, uma aproximação pragmática, com compromissos menos sólidos, tem hoje mais força do que a adesão formal dessas legendas ao governo.
“Antes de pensar em formar parte de uma coalizão de governo para apoiar Lula, é preciso ter uma reaproximação que permita o diálogo entre esses partidos e o presidente”, afirma Gabiati.
