O uso simultâneo e contínuo de cinco ou mais medicamentos, prática conhecida como polifarmácia, é uma das principais causas de tontura e confusão mental súbita na população idosa.
Levantamentos do Ministério da Saúde e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que mais de metade dos idosos brasileiros convive com duas ou mais doenças crônicas, o que eleva exponencialmente a quantidade de pílulas diárias na rotina dessa faixa etária.
Alterações no metabolismo aumentam a vulnerabilidade
O acúmulo de remédios e as mudanças do envelhecimento geram quedas e diagnósticos equivocados. Conforme a pessoa envelhece, o corpo passa por transformações funcionais que alteram a forma como os fármacos são processados.
A redução natural da função renal e o aumento da proporção de gordura corporal em relação à massa muscular fazem com que certas substâncias permaneçam ativas por mais tempo na corrente sanguínea, elevando risco de intoxicação.
A médica geriatra Antonieta Ozzetti, especialista em doenças neuropsiquiátricas e cuidados paliativos, explica que esses fatores tornam os idosos mais suscetíveis a reações que raramente afetam jovens.
“É muito comum na geriatria que sintomas novos sejam causados não por doenças, mas sim por efeitos colaterais de algumas medicações. Como eles são mais suscetíveis a alterações cognitivas, esses efeitos podem simular quadros demenciais ou de senilidade”, alerta a médica.
