Igor Gadelha, colunista do Metrópoles, decretou o armistício. Passada a eleição, escreveu ele, “é hora de respeitar o resultado das urnas, baixar as armas”. O apelo tem três destinatários: a esquerda vitoriosa, a direita derrotada e o Judiciário. É de uma simetria comovente. Lembra o pacifista que, diante do lobo e do cordeiro, exorta ambos a moderar o apetite.
Ocorre que a direita brasileira não tem armas. Tem, quando muito, cicatrizes. Vive sob um regime de força exercido por um consórcio entre o governo e o STF, que a persegue de maneira implacável. Acaba de perder mais uma eleição disputada em campo inclinado, com a máquina pública a serviço do candidato oficial, abuso de poder político e econômico em escala industrial e benesses distribuídas com a desenvoltura de quem compra votos pelo Diário Oficial - para não mencionar, por óbvio, o “milagre de Zanin”. Pedir a quem apanha que baixe os punhos é um modo requintado de mandá-lo oferecer a outra face, só que sem o consolo do Evangelho.
O próprio Gadelha, honra lhe seja feita, registrou que Alexandre de Moraes mandou apreender o passaporte de Flávio Bolsonaro horas depois da derrota do senador. Viu o disparo e concluiu que todos deveriam se desarmar.
A direita desarmada
A juristocracia respondeu sem demora. No mesmo dia em que a coluna saiu, o ministro Dias Toffoli recusou-se sequer a examinar o pedido de Filipe Martins para deixar o regime fechado, qualificando a petição de “manifestamente inepta”.
