A IA pode fazer as pessoas duvidarem da qualidade e da originalidade das pesquisas científicas?
Getty Images via BBC
Em uma antiga fábrica de relógios no centro de Londres, uma fileira de freezers brancos mantém armazenadas dezenas de pequenas caixas com tubos de vidro identificados por códigos de barras. Juntos, esses tubos contêm 100 bilhões de genes. Segundo o médico Oliver Vince, um dos fundadores do laboratório, se considerarmos apenas duas dessas caixas, elas poderiam armazenar juntas dez vezes mais informações do que todos os textos disponíveis na internet.
A empresa de Vince, a Basecamp Research, pretende coletar a maior quantidade possível de DNA para desenvolver uma inteligência artificial (IA) capaz de compreender a linguagem da biologia. A estratégia é semelhante à adotada por empresas de tecnologia dos Estados Unidos e da China, que reuniram enormes volumes de textos disponíveis na internet para criar os chamados Large Language Models (LLMs, grandes modelos de linguagem como, por exemplo, o ChatGPT ou o Gemini) que servem de base para os atuais sistemas de IA.
Vince, assim como muitos profissionais do setor empresarial e da pesquisa acadêmica, diz acreditar que a IA dará um grande impulso à pesquisa científica. Mas seu uso também tem provocado cada vez mais controvérsias.
No mês passado, a OpenAI, criadora da ferramenta ChatGPT, anunciou ter resolvido um dos grandes problemas ainda sem solução da matemática, relacionado às famosas equações de Navier-Stokes.
Por que uma desavença entre matemáticos alimenta temores de que a IA prejudica a ciência
