Donald Trump não estará na cédula nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. Ainda assim, estará em praticamente todas elas. Em 3 de novembro, os americanos decidirão quem controlará o Congresso nos dois últimos anos de seu governo. Uma vitória republicana o fortalece. Uma vitória democrata aumenta os freios sobre a Casa Branca.
O curioso é que uma parte dessa disputa pode passar pelo Brasil. A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, por 51,79% dos votos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, produz efeitos que não terminam na fronteira brasileira. Há pelo menos duas maneiras pelas quais o resultado pode favorecer Trump e candidatos republicanos.
A primeira está dentro dos próprios Estados Unidos. Cerca de 725 mil brasileiros nascidos no Brasil vivem no país e um terço deles já possui cidadania americana. A diáspora, incluindo descendentes, aproxima-se de 950 mil pessoas. Evidentemente, nem todos votam. Mas o contingente eleitoral deixou há muito tempo de ser irrelevante.
Em 2024, uma pesquisa do Instituto Ideia mostrou Kamala Harris com 60% e Trump com 35% entre brasileiros com direito a voto. O dado mais interessante, porém, estava na série histórica: Trump tinha apenas 10% desse eleitorado em 2016, passou a 27% em 2020 e chegou a 35% quatro anos depois.
O resultado brasileiro pode acrescentar um novo ingrediente a esse movimento.
