Quando comecei a me interessar pela matemática, na infância, nenhuma de suas expressões me pareceu tão perturbadora, curiosa e surpreendente como a Dízima Periódica, um número rebelde que não para de se repetir na última casa.
Nada consegue detê-la: nem uma cerca de arame farpado, nem uma barreira eletrônica, provavelmente nem os buracos das ruas de São Luís. Nessa época comecei a desconfiar que aquela história do tão certo quanto dois mais dois são quatro não passava de uma frase de efeito.
Anos atrás li em reportagem de uma revista científica que o número de Avogadro não é mais o mesmo. O famoso 6,02 x 1023 de repente não é mais aquele. A diferença é na casa de centésimos de milésimos, mas num número tão grande isso equivale a bilhões de bilhões.
Bote bilhões de incertezas nisso! Como diz Becker, o autor dos cálculos: “O que pretendíamos, de fato, era encontrar uma nova definição científica para o quilograma, que ainda carece de definição. ” Ou seja, Avogadro apenas entrou de gaiato nessa história e a essas alturas do campeonato, todos nós, escravos da vida moderna, somos gordos, mas não sabemos exatamente o quanto.
Claro, tudo evolui na vida, até as fórmulas. Assim como Galileu e Newton que ficaram para trás, agora ficou Avogadro e seu número, sem sequer um “Advogado” para defendê-lo.
