Era quase meio-dia no Centro Histórico de São Luís. O sol esquentava as pedras da Praia Grande e um vendedor de sorvete de coco descansava à sombra de um casarão, com o isopor ao lado da cadeira. Trabalhava ali havia mais de trinta anos. Conhecia os comerciantes, os moradores antigos e os motoristas das vans que passavam pela região. Sabia também quais casarões estavam vazios, onde a água se acumulava quando chovia e em que porta ainda morava gente daquele tempo em que a Praia Grande era mais bairro do que passeio de turista.
Uma van parou ali perto. Desceu um homem de camisa social, pasta debaixo do braço, procurando sombra., Tem sorvete de quê, meu chefe?, De coco., Só coco?, Só. O povo gosta., Quanto é?, Cinco reais., Rapaz, tudo está caro!, Pois é. Só o dinheiro da gente que continua pequeno.
O homem sorriu, comprou um sorvete e ficou por ali enquanto o motorista chamava os últimos passageiros., E aí, meu amigo, como é que o senhor está vendo esse Brasil?
O vendedor ajeitou a cadeira., Vou levando. E o senhor?, Não, estou falando do país. Do futuro do Brasil., Ah, o futuro! Desse aí eu escuto falar desde pequeno. Já deve estar um homem feito.
O passageiro riu., Mas muita coisa está mudando. Hoje temos tecnologia, inteligência artificial, um mundo cheio de oportunidades., É, eu vejo falar. Meu neto vive mexendo nessas coisas. Outro dia mostrou um telefone que responde pergunta, escreve carta, faz conta…, Isso mesmo. É o futuro chegando.
