O vice-ministro da Justiça do Chile, Luis Silva, renunciou ao posto na sexta-feira 30, em meio à forte repercussão negativa provocada pela concessão de benefícios penais pelo Ministério da Justiça a 56 criminosos condenados por abuso sexual de menores. Para o seu lugar, o presidente chileno, José Antonio Kast, anunciou a nomeação da advogada Josefina Soto Larreátegui.
Ao aceitar a demissão, Kast registrou agradecimentos a Silva pelo “trabalho e dedicação” durante o período em que esteve no cargo. Contudo, a crise provocou mal-estar político generalizado. O próprio presidente declarou que o “Estado falhou” com as vítimas dos criminosos beneficiados, visão compartilhada inclusive por parlamentares da base governista.
O caso veio à tona em 21 de outubro, por meio de reportagem publicada pelo portal chileno Interferencia, que revelou a redução de penas para o grupo de condenados por estupro e outros crimes sexuais. A situação ganhou contornos ainda mais críticos com a revelação posterior de que três pessoas condenadas por violações de direitos humanos durante o regime militar de Augusto Pinochet (1973-1990) também foram contempladas com abrandamento das sentenças.
Pronunciamento do ex-vice-ministro da Justiça do Chile
Na quinta-feira 29, Silva divulgou um pronunciamento em vídeo no qual tentou se defender. Ele sustentou que apenas assinou os despachos “aplicando o critério estabelecido pelo próprio ministro” da pasta, Fernando Rabat.
