Os juros futuros registraram fortes altas no pregão seguinte à eleição presidencial, com avanços superiores a 250 pontos-base em alguns contratos. Em entrevista ao CNN Money, Jerson Zanlorenzi, head da mesa de derivativos do BTG Pactual, atribuiu o movimento às preocupações dos investidores com o risco estrutural do país.
O pregão foi marcado por volume e intensidade fora do comum. Segundo Zanlorenzi, foram negociados R$ 140 bilhões na Bolsa, enquanto a média dos dias anteriores girava entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões, ou seja, aproximadamente três vezes a média habitual.
O circuit breaker chegou a ser acionado com uma queda de 15%, e o dia caminhou para ser o pior desde a pandemia, em março de 2020. No câmbio, o real registrou sua pior performance desde 1999.
Nas duas ou três semanas que antecederam a eleição, os investidores haviam aumentado a exposição a risco em seus portfólios, adicionando ações de setores como construção civil, varejo, shopping centers e o setor financeiro, todos potencialmente beneficiados por uma possível redução dos juros.
Com a virada do resultado eleitoral no domingo, esses investidores precisaram desfazer suas posições rapidamente para readequar o perfil de risco. “O mercado fica vazio na compra, como a gente fala, cai em queda livre”, explicou Zanlorenzi. Papéis considerados líquidos chegaram a registrar quedas de 30%, 40%, 50% e até 60% em um único dia.
