Tarcísio Gomes de Freitas é um homem de sorte. Aos 51 anos, depois de passar pela Academia Militar das Agulhas Negras, pelo Instituto Militar de Engenharia, pela Consultora Legislativa da Câmara dos Deputados e pelo Ministério da Infraestrutura, ele, apesar de carioca, foi eleito governador de São Paulo. Sorte é outro nome de competência. O político, que iniciou sua vida pública como burocrata bem preparado, preferiu não ficar sob o controle de Jair Bolsonaro e se desviou do possível confronto de eleitoral com o presidente Lula. Foi reconduzido ao Palácio Bandeirantes com folga, eleito no primeiro turno. Além disso, de repente, as portas da política brasileira se abriram à sua frente.
A incrível falta de visão, e de percepção política, de Flávio Bolsonaro jogou no colo do carioca/paulista a responsabilidade de conduzir os 60 milhões de brasileiros que votaram no filho do Jair. Flávio, conduzido por desinteligência abissal, não entendeu que ele, depois de perder a eleição, havia se transformado no principal líder da oposição no Brasil. Seu partido elegeu 29 senadores, 121 deputados federais e seis governadores estaduais, além de contar com o apoio de milhões de eleitores que ficaram órfãos na política brasileira. Ele seria o principal nome da política brasileira com chances de rivalizar com o Presidente da República. Poderia exercer a função de líder de uma oposição numerosa e eficaz. Jogou tudo fora.
