Procurar um imóvel costuma exigir algumas escolhas. É preciso olhar o tamanho, a localização, a distância do trabalho, a facilidade de acesso e, naturalmente, verificar se há banheiro.
Na Câmara dos Deputados, a procura pelo endereço onde os parlamentares passarão os próximos quatro anos não é muito diferente. Com uma peculiaridade: ninguém paga aluguel e nem todos podem escolher onde vão ficar.
Depois de meses percorrendo cidades, participando de comícios, pedindo votos e enfrentando as urnas, os deputados eleitos em outubro ainda terão uma última disputa antes de começar a nova legislatura. Desta vez, não haverá santinhos, cabos eleitorais ou horário eleitoral. O prêmio é uma sala. São nesses poucos metros quadrados que deputados recebem prefeitos, governadores, ministros, empresários e eleitores. Ali trabalham assessores, são preparadas propostas legislativas e acontecem algumas das conversas que antecedem decisões tomadas no plenário.
E nem todas as salas são iguais. Durante décadas, bastava atravessar os corredores da Câmara para perceber a diferença. De um lado estavam os gabinetes do Anexo 4, maiores, com banheiro privativo e servidos por elevadores. Do outro, o Anexo 3. Ali, o banheiro já foi um problema político.
Em dezembro de 2008, o então primeiro-secretário da Câmara, Osmar Serraglio, levou o assunto à tribuna. Segundo ele, 76 deputados trabalhavam no Anexo 3.
