O Banco do Japão manteve sua taxa básica de juros em 1,25% ao ano, conforme comunicado divulgado nesta sexta-feira (30).
A decisão era amplamente esperada pelo mercado, mas o tom do comunicado oficial reforçou as apostas de uma nova alta para dezembro, quando investidores projetam a normalização da taxa para 1,5%.
A economista Marilia Fontes analisou a decisão e destacou o contexto histórico que explica a cautela da autoridade monetária.
“O BoJ sofreu durante muito tempo com uma necessidade de aumentar estímulos, de aumentar a atividade econômica, com um risco de deflação”, afirmou.
Segundo ela, desde 2013, quando o banco central japonês iniciou medidas de maior estímulo, o objetivo sempre foi buscar uma economia mais robusta, com consumo aquecido e aumento de salários.
Marilia Fontes destacou que, finalmente, os dados econômicos japoneses começam a mostrar os resultados esperados.
“O crescimento do salário real está aumentando, o crescimento do consumo também, e isso tudo dá suporte para que o BoJ pense em voltar a taxa de juros para o nível do juro neutro”, explicou.
O juro neutro, segundo a economista, é aquele que não acelera nem desacelera a inflação.
A inflação no Japão atingiu 2,1%, levemente acima da meta de 2%. Marilia Fontes ressaltou que, ao contrário da maioria das economias do mundo, o Japão se preocupa em manter a inflação em um patamar razoável, e não em contê-la.
