Uma rota nanotecnológica capaz de transformar o lodo de ETAs (estações de tratamento de água) em fertilizante de liberação lenta foi desenvolvida pela Embrapa em parceria com a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). Por meio de processo hidrotérmico, a inovação neutraliza o alumínio tóxico do resíduo e incorpora nutrientes como nitrogênio e potássio. O processo converte em insumo agrícola um passivo ambiental que representa um desafio logístico e financeiro para empresas de saneamento.
O aproveitamento do lodo de ETA é limitado por características como composição variável, baixo teor de matéria orgânica e, principalmente, elevados teores de sais de alumínio. A tecnologia desenvolvida busca superar essas limitações e possibilita que o fertilizante, produzido na forma de grânulos, atue como veículo para microrganismos benéficos às plantas.
Com resultados positivos obtidos em laboratório e em casa de vegetação, o próximo passo é prospectar empresas para estruturar um projeto-piloto industrial e avaliar a produção em maior escala, integrando fertilização e proteção biológica.
Resíduo tóxico se transforma em insumo para plantas
Diferentemente do lodo de esgoto gerado nas ETEs (Estações de Tratamento de Efluentes), que apresenta elevada matéria orgânica e já vem sendo estudado para uso agrícola, o lodo de ETA possui baixa carga orgânica e elevada concentração de sais de alumínio provenientes dos coagulantes utilizados no tratamento da água.
