A fuga de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos abriu espaço para uma redistribuição de influência entre possíveis líderes da direita depois da derrota presidencial. Embora tenha recebido 59,8 milhões de votos, o senador deixou o país quando partidos, governadores e congressistas iniciam as negociações para definir os rumos da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A reorganização envolve políticos com bases distintas de poder. Tarcísio de Freitas (Republicanos) governa São Paulo, Michelle Bolsonaro (PL) reúne apoio no eleitorado bolsonarista e Valdemar Costa Neto controla a estrutura partidária do PL. No Congresso, Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) disputam espaço na articulação da direita, enquanto Nikolas Ferreira (PL-MG) se destaca pela capacidade de mobilizar apoiadores nas redes sociais.
A eleição para a presidência do Senado, marcada para fevereiro de 2027, é um dos primeiros testes dessa reorganização. Em carta divulgada na 4ª feira (28.out.2026), Flávio declarou apoio a Rogério Marinho para comandar a Casa. A manifestação, porém, não encerrou as negociações.
Tereza Cristina mantém sua candidatura e é considerada por aliados uma alternativa com maior capacidade de atrair votos de partidos de centro. Ex-ministra da Agricultura, a senadora tem interlocução com o agronegócio, setores produtivos e congressistas de diferentes legendas. Essa rede de relações pode ampliar seu apoio para além do núcleo bolsonarista.
