Enquanto grande parte do mundo celebra a virada que garantiu a Lula seu quarto mandato presidencial, aqui segue a choradeira dos inconformados com a derrota de Flávio Bolsonaro no último domingo.
Foram quase 60 milhões de brasileiros que votaram nele. Uns por acreditarem em sua palavra de que, uma vez eleito, faria deste um país melhor; outros por desejarem, pura e simplesmente, se livrar de Lula e do PT. O período de luto dessas pessoas deve ser respeitado. Que elas enterrem em paz sua frustração ou revisem suas ideias.
O que não se pode tolerar, porém, é que o choro dê lugar a atos de violência contra quem quer que seja. Infelizmente, é isso o que está acontecendo. Há mortos e feridos entre os que se limitaram a digitar o 13 nas urnas. Nem os povos originários são poupados, e há a pregação escancarada do boicote aos negócios dos vencedores.
Como sempre, o mau exemplo vem do alto. Cito apenas um para não cansá-los: o governo de Tarcísio de Freitas demitiu Silvana Gimenes do cargo de coordenadora de Desenvolvimento de Programas da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Seu “crime” foi criticar a fala de Flávio, durante o debate da TV Globo, sobre o fato de Lula ter perdido um dedo em um acidente de trabalho quando era jovem.
Tarcísio aspira se eleger presidente daqui a quatro anos. Se dependesse para isso apenas do apoio dos donos das maiores fortunas do Brasil, dos milionários do agronegócio e da chamada grande mídia, estaria eleito desde agora.
