A agenda do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o quarto mandato encontrará dois obstáculos centrais: as restrições políticas e as fiscais. A avaliação é de Mariana Castro Gill, sócia-diretora da Vector, em entrevista ao WW.
Para ela, o sucesso das propostas dependerá, em grande medida, das prioridades que o governo decidir adotar.
Segundo Gill, o governo chega com uma pauta extensa, que inclui políticas sociais, mudanças trabalhistas, segurança pública e regulação digital.
“Algumas dessas medidas já avançaram, mas outras dependem de novas decisões do Congresso”, afirmou a especialista, destacando que a aprovação legislativa representa um dos principais desafios da gestão.
Além do desafio político, Gill ressaltou que a questão orçamentária representa uma segunda dificuldade significativa para o governo. “Boa parte dos recursos públicos já está comprometida com despesas obrigatórias”, explicou.
Dessa forma, mesmo que as propostas sejam populares, o governo pode enfrentar resistência dentro do Congresso Nacional para financiar a implementação dessas políticas.
“Lula vai precisar negociar tanto os votos quanto os recursos para conseguir implementar essas medidas”, disse Gill.
A especialista alertou que essas duas negociações “nem sempre caminham juntas e são tão simples”, sinalizando a complexidade do cenário que se apresenta ao governo.
